Veterinários não deveriam ser vegetarianos?

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Como muitos veterinários, eu escolhi minha profissão quando eu era muito novo: aproximadamente aos cinco anos de idade. Minha decisão foi baseada na afeição e empatia com os animais em minha vida: uma predileção conhecida como “amor aos animais”. Eu sempre tive um senso inato de que animais são iguais a nós mesmos em diversas maneiras e de que eles merecem nosso cuidado e afeição.

Então, como pode ser que, Eu, assim como a maioria dos veterinários, sou um comedor de carne? Como podemos justificar matar e comer criaturas vivas que nos importamos tanto?

Desde muito cedo, a maioria dos veterinários foi cercada por uma cultura que ensina três fatores chave que nós absorvemos e aceitamos.

farmanimalCrédito: Alamy

Primeiro, animais de fazenda tem cérebro menor do que os nosso, então eles não são capazes de refletir sobre o fato de que, em alguns dias, semanas ou meses, as suas vidas cessarão para prover comida aos seus cuidadores.

Segundo, animais vivem no presente, muito mais do que os humanos. Então, enquanto eles estiverem satisfeitos e confortáveis pela maioria de suas vidas, não importa se eles morrem antes da hora que teria sido em uma morte natural. E animais de fazenda parecem não lamentar a morte de outros no grupo da mesma maneira que nós lamentamos.

Terceiro, é aceitável para humanos tirar a vida de animais de fazenda, desde que o abate ocorra de uma maneira humana: o animal não deve saber o que está para acontecer – existe um espantoso processo que causa inconsciência instantânea – e não pode haver dor ou aflição antes ou durante o abate.

Estes três fatos tem sido suportados por uma crença de que a legislação e o sistema no Reino Unido e União Européia são suficientemente rigorosos, bem projetados e implementados de maneira que animais de fazenda tenham uma vida digna e uma morte livre de medo e dor.

chicken-largeMuitos de nós tentam justificar porque comemos carne. Crédito: Alamy

É esse o cenário que permite que veterinários justifiquem porque comem carne: de fato, é somente com a ajuda profissional de veterinários que o rebanho pode ser mantido e somente com a ajuda de abatedouros com veterinários contratados que animais podem ser legalmente mortos.

Estes veterinários conduzem o difícil, e sempre pressionado, trabalho de tentar manter as regulações de bem-estar, algumas vezes sob intensas pesquisas minuciosas e pressão comercial.

Porém, em anos recentes, Eu, junto com muitos outros veterinários, me encontrei questionando minhas crenças por um grande número de razões. Eu li livros sobre criação de animais para indústria alimentícia que descrevem o quanto animais inteligentes como porcos sofrem insuportavelmente em seus caminhos para nossos pratos. Ativistas secretos (agora chamados de “terroristas” nos Estados Unidos) usaram câmeras escondidas para mostrar a crueldade perversa a que os animais criados em sistema intensivo são expostos. A carne de animais que são abatidos sem serem sedados rotineiramente chega às prateleiras dos supermercados. Um livro recente que chegou a “best-seller” descreveu a criação de animais para a indústria alimentícia como “o maior crime da história da humanidade”.

Enquanto eu tento reafirmar para mim mesmo que na União Européia (ao contrário dos Estados Unidos, China e grande parte do resto do mundo), a legislação de bem-estar dos animais os protege, uma dissonância cognitiva está rastejando. Eu realmente acredito que porcos criados intensivamente ao menos têm a chance de exibir o comportamento natural que faz a vida valer a pena ser vivida? De alguma forma é possível para as vacas ter uma existência tolerável se elas nunca pastarem em um campo gramado?

hkvege-largeUm ativista da Sociedade Vegetariana de Hong Kong deita em um prato com talheres gigantes ao lado de ervilhas e cenouras grandes durante um protesto. Crédito: Jerome Favre

Botando mais lenha na fogueira desta dissonância, nos trinta anos desde que eu me formei como veterinário, nosso entendimento sobre a senciência animal aumentou exponencialmente. Com o auxílio de técnicas de imagens dinâmicas, nós agora percebemos que os cérebros dos animais são muito mais parecidos com os nossos do que nós gostaríamos de imaginar. Aspectos fundamentais da consciência – emoções, dor e prazer – emanam de partes primitivas do cérebro que nós compartilhamos com outras espécies. A grande diferença – nosso lobo frontal avantajado – nos permite ponderar sobre o passado, presente e futuro, e nos dá uma habilidade racional para nos organizar mais eficientemente do que outras espécies, mas é esse o ponto. Não existe uma linha clara delineando humanos dos animais. Pete Singer estava certo em seu livro seminal “Animal Liberation”: nós escolhemos maltratar e depois comer porcos, mas é difícil encontrar uma razão racional para justificar isso além de nossas próprias desculpas inventadas de que eles são uma espécie diferente.

Finalmente, a cobertura recente da mídia lançou o ponto de que a contribuição dos gases de efeito estufa provocados pela criação de rebanhos é imenso, contabilizando 14,5% do total, chegando às mesmas proporções das emissões diretas de carros, aviões, trens e navios. A limpeza da terra para a criação de gado está destruindo as florestas tropicais.

Enquanto isso, a produção intensiva de carne e leite é um método ineficiente de transformar proteína vegetal em animal, em um mundo onde as pessoas ainda passam fome. Contudo, parece que a produção de rebanhos está longe de ser ideal para o meio ambiente.

Até agora, Eu justifiquei meu próprio consumo de carne dizendo a mim mesmo que Eu somente consumo produtos éticos, como frango criado ao ar livre e gado e carneiro criado localmente. Mesmo assim, se for honesto, eu sei que minhas escolhas de compra são facilmente obscurecidas: algumas vezes a proveniência da carne que eu compro pode ser incerta. E quando não estou em casa, comendo em restaurantes ou na casa de amigos, eu frequentemente não tenho idéia de onde a comida vem. Então é provável que meus próprios hábitos alimentares apóiem a criação intensiva de animais, e eu não gosto disso.

Existe uma resposta atraente: se uma linha mais clara fosse definida, seria muito mais fácil de ficar em um lado dela. Vegetarianos não comem carne em nenhum lugar, seja em casa ou fora, então não existe o risco de apoiar acidentalmente a criação de animais intensiva.

Eu ainda acredito que pode ser justo, sobre circunstâncias ideais, beber leite e comer carne e ovos. Mas nesse mundo de mercados globalizados e rotulações vagas, é cada vez mais difícil estar certo do que você está consumindo.

Vegetarianismo e até mesmo o Veganismo nunca pareceram tão atraentes.

lovemedonteatme

Matéria escrita pelo veterinário do Reino Unido,

Por um período de teste de um mês, Pete irá participar do Veganuary, para experimentar ele mesmo a vida e a dieta de um vegano. Se você gostaria de fazer parte, veja o site para mais detalhes.

Traduzido com adaptações: http://www.telegraph.co.uk/pets/news-features/should-veterinarians-be-vegetarians/

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