A professora Fiona e mais uma lição

fiona2

E não é que a Fiona foi capaz de me ensinar mais uma lição?! Depois de me ensinar sobre amor/compreensão e depois sobre desapego, ela continua me ensinando do jeito especial que só o convívio com ela proporciona.

Quem tem cachorro ou outros animais de estimação sabe que eles sofrem quando viajamos e os deixamos sozinhos. Existe até nome para este comportamento: Síndrome da Ansiedade de Separação.

Com a Fiona não é diferente e sempre que viajamos ela faz greve de fome e fica mais tristinha. Antes da viagem, ao colocar comida e água em mais de uma vasilha, ela percebe e tenta chamar a atenção. Talvez seja o jeito dela dizer “me leve também”, ou talvez esteja apenas querendo aproveitar ao máximo o tempo comigo antes que viaje e ela fique sozinha.

Na minha última viagem, acordei cedo e, quem me conhece, sabe que tenho péssimo humor pela manhã, principalmente quando não acordo naturalmente – com despertador ou quando me acordam.

Como estava previsto que saísse às 6 da manhã, acordei meia hora antes para poder arrumar algumas coisas e colocar comida para a Fiona. Quando peguei a vasilha extra e comecei a colocar comida, ela ficou agitada. Quando coloquei água em uma vasilha extra, ela começou a tentar chamar minha atenção, segurando meus pés com as patas e dando mordidinhas de leve, como todo cachorro faz quando quer brincar.

Não dei muita atenção e quando terminei o “ritual pré-viagem”, enquanto caminhava novamente pelo quintal, ela continuou insistindo, correndo atrás, “abraçando” meus pés e dando mordidinhas. Aconteceu de uma mordidinha dessa ter acontecido no momento em que eu tiraria o pé da base do chão e o moveria para frente, no movimento da caminhada, e isso fez com que “potencializasse” a mordida e isso doeu um pouco. Foi pouco, mas como eu estava de mau humor, fiquei irritado, peguei-a pelas patas da frente, levantei e a empurrei para que se afastasse. Mas com o sangue quente, fiz força demais e a joguei de maneira que ela não conseguiu cair “em pé” no chão. Ela deu um latidinho típico de choro e fiquei preocupado em tê-la machucado, mas ela logo voltou correndo para meu lado querendo brincar.

Foi aí que minha cara foi ao chão. Corei de vergonha. Ela, como Rottweiler, é um cachorro que tem capacidade para me atacar e fazer um bom estrago. Se quisesse revidar, bastaria uma mordida ou então pular com as patas dianteiras em meu peito para me derrubar. Mas não. Em toda sua lealdade, ela voltou com a carinha alegre, querendo apenas atenção e um pouco de carinho.

Fiquei triste com minha atitude e refleti. Por que usamos nosso estado de espírito – seja mau humor, impaciência, tristeza, ira, dentre outros – como desculpa para agir da maneira errada? Por que temos dificuldade em nos colocarmos no lugar do próximo ou por que não o fazemos com frequência? Por que tomamos essas atitudes irracionais justamente com quem é mais próximo de nós ou quem mais precisa de atenção?

Vez ou outra temos desentendimentos com pessoas da família ou amigos, e a coisa só piora porque o outro lado geralmente revida de alguma forma. Quando não revida, reage de maneira que nos incita a pensar que o nosso ato errado é justificável.

Com a Fiona não foi assim. Ela me mostrou que não é porque alguém me infligiu mágoa que eu também tenho o direito de fazê-lo. Ela literalmente ofereceu a outra face. Ela foi leal. Foi companheira. Foi paciente. Foi amiga.

Ela me mostrou o que tem de melhor, mesmo em um momento que mostrei o que tenho de pior. Talvez uma das maiores lições de humildade que já tive. Mais uma das muitas lições que a princesa Fiona ensinou e ainda há de me ensinar.

fiona2

Compartilhar: